arteterapia

A arteterapia é uma terapia que, assim como as outras, tem como intuito o autoconhecimento e a conciliação de conflitos vividos pelas pessoas. No entanto, se utiliza da arte como canal de comunicação entre o mundo interno e externo. Desse modo, partindo do pressuposto de que a criatividade é inerente a todos, acredita que ser criativo é uma maneira de encontrar soluções para lidar com as adversidades e, por isso, tem como principal objetivo o resgate desse potencial.

Foi através de um sonho que a analista socioambiental Gianni Queiroz, de 43 anos, percebeu que precisa expressar algo que sentia. Depois de já ter feito vários tipos de terapia, ela conta que buscava algo que não utilizasse apenas a verbalização.

“Foi um sonho muito intenso, onde eu participava de uma ‘performance’ que me fez acordar com uma sensação de bem-estar. Ao amanhecer, fiquei me perguntando: ‘O que será que foi isso? Como repetir essa experiência de autoconhecimento?’ Conversando com uma amiga, ela me sugeriu a arteterapia. Através da técnica, pude participar de atividades lúdicas, para, depois, avaliar junto com o terapeuta o que pode estar implícito ou explícito ali. Acho um tratamento muito indicado em nossa sociedade tão opressora”, lembra Gianni. 

Nas sessões, a manifestação artística vai ser compreendida como o autorretrato da psique, não havendo nenhuma preocupação com o valor estético. Assim, artista ou não, todos podem se beneficiar do acesso às imagens inconscientes favorecido pela técnica, para, assim, ter a possibilidade de ressignificar suas próprias experiências. 

“A criação artística coloca o paciente em atividade, saindo da posição passiva de falar sobre determinado assunto para uma posição ativa de produção, dando materialidade aos seus sintomas ou conflitos. Dessa forma, é possível confrontá-los e, posteriormente, transformá-los. A melhora dos pacientes se dá a partir do momento em que o símbolo, que inicialmente aparece no corpo em forma de sintoma, físico ou psíquico, pode ser trabalhado fora. Na medida em que o paciente pode simbolizar fora, o símbolo perde a função no corpo e o sintoma tende a desaparecer”, explica a arteterapeuta e psicóloga Maria da Luz Araújo.

Para ser um arteterapeuta, é necessária uma formação específica. A profissão fica na interface entre a arte e a terapia, sendo fundamental aprofundamento e treinamento prático nessas áreas. Para que o profissional seja reconhecido como arteterapeuta pela associação do estado em que reside, é necessário que curse uma formação que seja reconhecida pela Associação de Arteterapia do seu Estado e pela União Brasileira das Associações de Arteterapia (UBAAT). O currículo mínimo é composto de 520h. A carga horária é simultaneamente teórico-prática e vivencial.

O tempo de duração do tratamento depende de muitos fatores. Não é possível precisar. Vai depender do processo de cada pessoa. O custo também pode variar por sessão. Assim como em outras técnicas terapêuticas, o aprendizado da arteterapia demanda que o aluno se submeta profundamente ao processo que está aprendendo, como no caso da professora Márcia Cavalcante, de 52 anos.

“Percebi que meu desenho era uma forma de eu me colocar, independente de ele ser bonito ou bem feito. Logo de cara, me trouxe a possibilidade de extravasar, o que me revelou lembranças que me faziam muito bem. Outras atividades também me surpreenderam e revelaram muitas coisas. É um autoconhecimento por uma outra via”, elogia Márcia.

A arteterapia promove bem-estar psíquico, físico e espiritual. A expansão da criatividade pode desvendar potenciais que trazem mais confiança, alegria e disponibilidade para a aquisição de novas ideias e práticas, afirma a médica e arteterapeuta Denise Vianna. 

“O benefício trazido pelas atividades surge da liberação e transformação de partes inconscientes que, desconhecidas e reprimidas, podem ocasionar ansiedade, depressão ou até mesmo doenças físicas. Pode melhorar a qualidade de vida em todos os segmentos da população, desde a infância à terceira idade – seja individualmente ou a grupos, em espaços privados ou públicos”, ressalta Vianna.

Atualmente, a Arteterapia encontra-se em fase crescente de implantação nos hospitais gerais e de saúde mental – inclusive universitários, sendo considerada uma forma de cuidado hospitalar emergente cuja eficácia comprovada é citada em vários trabalhos acadêmicos. Mas embora o Ministério da Saúde tenha indicado a implantação da Arteterapia no Sistema Único de Saúde há cerca de 2 anos, ela ainda está sendo introduzida apenas informalmente em algumas instituições.

“Sempre intercalei minha prática de médica com as artes em geral e, após a formação em arteterapia, concebi junção dos meus interesses. No SUS, ofereci o ensino e a prática da técnica no ambulatório de geriatria e gerontologia. Também implantei um programa de extensão na UFF chamado ‘Terapia Expressiva’ e, sobre essa atividade, escrevi artigos e organizei um livro chamado ‘Terapia Expressiva, a Arte do afeto colorindo um hospital’, publicado pela Eduff”, conclui Denise.

Fonte: O Fluminense

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