Você já reparou como muitos de nós adotamos o nervosismo como estilo de vida? Entre o estímulo (o que acontece) e a resposta (nossa reação) existe um intervalo que corresponde à nossa liberdade de escolher

calma

Quando não podemos mais mudar uma situação, somos desafiados a mudar a nós mesmos. – Viktor Frankl

Você já reparou como muitos adotam o nervosismo como estilo de vida?

Aos poucos, estar nervoso passa a fazer parte da identidade destas pessoas. Algo do que até parecem se orgulhar em certos momentos. Tenho a impressão de que chegam a se sentir mais efetivos, pois, em seu modo de ver, entendem que estar nervoso é praticamente um sinônimo de comprometimento, de estar alerta, de manter a velocidade, de pressionar os supostamente acomodados, de se manter protegido. Será mesmo?

Quando comecei a me dedicar ao estudo do desenvolvimento do potencial humano, algo chamou minha atenção de imediato: um convite para abandonarmos a passividade e agirmos mais intencionalmente quando se trata de nosso próprio desenvolvimento, inclusive naquelas situações que o senso comum costuma encarar como se nada pudesse ser feito.

Estudos e pesquisas indicam que cerca de 40% do nosso “índice de felicidade” não depende de questões genéticas ou de circunstâncias sobre as quais temos pouco ou nenhum controle, mas sim daquilo que escolhemos de forma intencional. Não é pouco. Mas depende de esforço. Do nosso esforço.

Portanto, dizer sou nervoso mesmo, eu nasci assim, sempre fui assim, meu pai era assim, como se fosse uma sentença inalterável a determinar nossos comportamentos, é infantilidade nossa.

Cultivar a calma e a tranquilidade deve se tornar um exercício, uma prática diária, uma meta pessoal. Afinal, está provado que as pessoas que vivem a vida plena, escolhem abandonar o nervosismo como modelo de vida.

E se você ainda não está convencido, lembre-se de que estados irritadiços constantes desequilibram a nossa saúde física, impactam sobre a nossa saúde mental e nos predispõem a atitudes insensatas.

A neurociência nos ensina que nosso cérebro, apesar de muito eficiente, às vezes deixa de ser eficaz. Ele possui mecanismos para nos alertar dos perigos, predispondo-nos à reação imediata, como lutar, ou fugir. Este sistema de alarme, centralizado na amídala cerebral, já nos livrou de muitos perigos, quando não havia tempo para pensar e era preciso agir rápido, como desviar de um carro que quase nos atropelou, por exemplo.

Mas, o ritmo de vida que temos adotado, as pressões a que somos submetidos, as necessidades inúmeras que criamos para nós mesmos, a violência urbana, a impessoalidade das relações, entre outras coisas, pode acentuar nossa irritabilidade, desequilibrar nosso emocional e levar nosso cérebro a disparar aquele alarme de forma descontrolada, mantendo-nos em constante estado de estresse, sobrecarregando nossos sistemas, com potencial para levar-nos a um estado de pânico.

Escolha praticar a calma

Calma

Praticar a calma é exercitar nossa habilidade de criar um distanciamento e de controlar nossas reações emocionais.

Não, isto não significa não ter sentimentos negativos. Significa ser capaz de observar-se, perceber o sentimento que foi despertado pelo que aconteceu, estar consciente das emoções que afloram, como raiva e medo, por exemplo, e não reagir impulsivamente.

Stephen Covey chama esta habilidade de proatividade. Sermos proativos, para Covey, é sermos capazes de escolher a resposta que daremos a cada situação.

Entre o estímulo (o que acontece) e a resposta (nossa reação) existe um intervalo que corresponde à nossa liberdade de escolher. Aumentar este intervalo, não necessariamente quanto ao tempo, mas principalmente quanto ao nosso nível de consciência, é a verdadeira força a ser desenvolvida.

Obviamente, não há como exercer esta força sem autoconhecimento. Eu preciso estar atento para as circunstâncias que mexem comigo, estar ciente das emoções que disparam a minha reatividade, e aprender a técnica do distanciamento.

Há quem reaja muito mal quando se sente atingido em sua moral, há quem se torne violento quando sente medo, há quem não tolere pessoas arrogantes, provavelmente porque possuem experiências amargas que quando são despertadas, despertam também as suas sombras.

A boa notícia é que podemos aprender a lidar melhor com estas emoções.

Há diversas propostas neste sentido. Entre elas, uma das mais usadas e indicadas é a meditação.

Mas cabe a você encontrar o caminho que mais lhe agrade.

O que não podemos é nos conformar com um estado mental que nos faz tão mal e nunca resolveu de fato coisa nenhuma.

Vale a pena investir nesta habilidade: cultivar a calma e criar espaços de tranquilidade, onde as nossas energias possam ser recarregadas e consigamos enxergar que a vida é um campo infinito de possibilidades.

Faz sentido pra você?

Autor: César Augusto Tulio Tucci, (originalmente publicado em www.cesartucci.com.br)

Fonte: Site Administradores